Ainda
meio ensoneirado, assistia no noticiário a uma peça que me deixou
perplexo, o número de fármacos para dormir tem crescido, levando os meus
sentidos para duas observações: a população poderá estar eventualmente adoecida
e o meu sonho que um dia alguém dirá isso em relação ao cinema, usado para
terapia.
Recordei um filme de Stanley Kubrick “Laranja mecânica”. Ainda sucumbido com esse facto absolutamente digno de baixa cultura (que nem questiona o constante progresso da indústria farmacêutica), penso nos cineastas que tentam a todo o custo produzir filmes, até a dormir e que servem como uma luva a todos os males de que sofrem os indivíduos. Nesse filme, um jovem rebelde é submetido a um rigoroso exercício experimental onde a música clássica e um filme composto por sucessivas imagens em movimento, procuram reeducar a personagem e, ao que se sabe com sucesso, apesar de forçado. Do tipo, a cultura submersa na arte para fins terapêuticos.
Falar de cinema, de grosso modo é, possivelmente, um comprimido sustentável, algo metafisico. É claro que não gere os milhões das agências farmacêuticas mas, ainda assim, gere milhões - até ao dia que o nosso governo com as sucessivas políticas de exclusão às artes extinga do nosso vocabulário cinema – e caso pareça cliché, o conhecimento científico ou senso comum, com falsas esperanças a banirem aos poucos os cineastas que lutam por um dialéctico cinematográfico como prática imprescindível no crescimento do ser humano, uma espécie de cura para a utupia da peste negra que paira sobre o universo.
Num filme à priori, podemos sintetizar o tipo de carácter das personagens. Por exemplo, na Nouvelle Vague a personagem feminina, quase sempre inocente, esconde na sua beleza natural medos e fragilidades e aí entra aquilo que me trouxe à escrita: a psicanalise. O meio cientifico a favor da pureza da imagem, a arte de braços dados com a patologia humana, por outras palavras o surrealismo: uma simples imagem a valer por mil palavras, a razão de cada personagem representada na imagem, espelhada nos seus rostos, sem palavras ou com um número reduzido, uma espécie de cura relacional, como se as pessoas se expusessem pela primeira vez à natureza.
Existem muitos realizadores, cineastas ou fazedores de filmes que sempre utilizam esta técnica cientifica, consciente ou inconsciente, contudo, trás algumas divergências, mostrando por vezes o pior de cada pessoa para o bem maior do espetador. Se os realizadores são uma espécie em via de extinção por forças adversas maiores, não nos interessa discutir filmografias no hall de casa, nem nos cafés. Há outras coisas que nos oferecem mais dores de cabeça, problemas e falsas esperanças com filmes que existem aos molhos no dia-a-dia e que não chegam à sombra de um cineasta.
Caracteres ou personalidades à parte, fazedores de filmes podem divergir na concepção dos seus filmes mas uns procuram o recurso à psicanálise na abordagem à vida, outros sublimes que sem planos emotivos e em constante movimento iludem o espetador a outros sentidos da trama. Com isto, o meio cientifico trabalhando ao serviço da arte e vice versa, formam uma dupla terapêutica. Quanto ao método de assistir ao filme pode ser um acto doloroso, típico de bons filmes, mas, a minha experiência, deixa uma certeza: nem a arte se vira contra nós nem o cinema é retroativo para quem invoca o seu nome. Por exemplo, um filme explicado por palavras é sempre um filme explicado por palavras; um filme que trate um problema é um filme não é um problema; em Voando sobre um ninho de cucus, filme de Milos Forman, o filme trata alguns problemas sociais, mas é parte da solução.
Recordei um filme de Stanley Kubrick “Laranja mecânica”. Ainda sucumbido com esse facto absolutamente digno de baixa cultura (que nem questiona o constante progresso da indústria farmacêutica), penso nos cineastas que tentam a todo o custo produzir filmes, até a dormir e que servem como uma luva a todos os males de que sofrem os indivíduos. Nesse filme, um jovem rebelde é submetido a um rigoroso exercício experimental onde a música clássica e um filme composto por sucessivas imagens em movimento, procuram reeducar a personagem e, ao que se sabe com sucesso, apesar de forçado. Do tipo, a cultura submersa na arte para fins terapêuticos.
Falar de cinema, de grosso modo é, possivelmente, um comprimido sustentável, algo metafisico. É claro que não gere os milhões das agências farmacêuticas mas, ainda assim, gere milhões - até ao dia que o nosso governo com as sucessivas políticas de exclusão às artes extinga do nosso vocabulário cinema – e caso pareça cliché, o conhecimento científico ou senso comum, com falsas esperanças a banirem aos poucos os cineastas que lutam por um dialéctico cinematográfico como prática imprescindível no crescimento do ser humano, uma espécie de cura para a utupia da peste negra que paira sobre o universo.
Num filme à priori, podemos sintetizar o tipo de carácter das personagens. Por exemplo, na Nouvelle Vague a personagem feminina, quase sempre inocente, esconde na sua beleza natural medos e fragilidades e aí entra aquilo que me trouxe à escrita: a psicanalise. O meio cientifico a favor da pureza da imagem, a arte de braços dados com a patologia humana, por outras palavras o surrealismo: uma simples imagem a valer por mil palavras, a razão de cada personagem representada na imagem, espelhada nos seus rostos, sem palavras ou com um número reduzido, uma espécie de cura relacional, como se as pessoas se expusessem pela primeira vez à natureza.
Existem muitos realizadores, cineastas ou fazedores de filmes que sempre utilizam esta técnica cientifica, consciente ou inconsciente, contudo, trás algumas divergências, mostrando por vezes o pior de cada pessoa para o bem maior do espetador. Se os realizadores são uma espécie em via de extinção por forças adversas maiores, não nos interessa discutir filmografias no hall de casa, nem nos cafés. Há outras coisas que nos oferecem mais dores de cabeça, problemas e falsas esperanças com filmes que existem aos molhos no dia-a-dia e que não chegam à sombra de um cineasta.
Caracteres ou personalidades à parte, fazedores de filmes podem divergir na concepção dos seus filmes mas uns procuram o recurso à psicanálise na abordagem à vida, outros sublimes que sem planos emotivos e em constante movimento iludem o espetador a outros sentidos da trama. Com isto, o meio cientifico trabalhando ao serviço da arte e vice versa, formam uma dupla terapêutica. Quanto ao método de assistir ao filme pode ser um acto doloroso, típico de bons filmes, mas, a minha experiência, deixa uma certeza: nem a arte se vira contra nós nem o cinema é retroativo para quem invoca o seu nome. Por exemplo, um filme explicado por palavras é sempre um filme explicado por palavras; um filme que trate um problema é um filme não é um problema; em Voando sobre um ninho de cucus, filme de Milos Forman, o filme trata alguns problemas sociais, mas é parte da solução.