Não vamos esperar mundos e fundos de um filme português, afinal não se trata de um filme espanhol baseado em westerns americanos, é sim baseado na obra de Fernando Pessoa. Realisticamente falando, Empírico se o leitor quiser, são filmes com pouca relevância, basta olhar para estatísticas ou querendo comparar até com um único estádio de futebol.
"Não Sou Nada - The Nothingness Club" saiu da mente imprevisível de Edgar Pêra. No filme a técnica é a rainha soberana no seu próprio poder à semelhança de qualquer núcleo de produção.
O estudo do caos que, aparentemente, se insiste em apurar no que concerne ao cinema experimental, obteve neste filme um determinado rigor, sobretudo rigor estético, mesmo na deformação da própria verdade absoluta, recorrendo ao cinema do futuro que contém multiplas imagens sobrepostas. Contudo, a beleza que reside no filme é única na complexa dança dos paroxismos do cinema português, um filme fora de sentido, mas ainda assim elegante. Um filme que apesar de não ser curta-metragem, não é habitual, a narrativa díspar foca-se exclusivamente nas vicissitudes de Fernando Pessoa e sobretudo no heterónimo Álvaro de Campos, mais metafísico que Ricardo Reis, discípulo de Alberto Caeiro, mas violento nas suas convicções. O filme aborda a perseverança e muy distinta linguística pessoana, esse nobel da literatura que nunca o chegou a ser devido à guerra mundial.
IG23
In Vallis Longus
Ass.: Ivan Josué