O regresso (encontros cinematográficos)

  Em Abril do presente ano civil aconteceu mais uma edição dos encontros cinematográficos na cidade do Fundão. Encontros que de alguma maneira despoletaram com as jornadas do cinema proibido e que ainda assim parece ter a mesma aura, tido como único no país: Filmes raros, filmes nunca antes exibidos, filmes que por qualquer razão estiveram longe do grande blico, mas com conteúdo fidedigno, obras de arte, filmes de culto, obras-primas muito à semelhança do que é o cinema português na sua verdadeira acepção. Pode inclusive falar-se em filmes censurados, por exemplo filmes em que a vontade de o fazer supera a inexistência total de apoios.  filme que assisti nestes encontros, na sua gênese é película e chamasse "O regresso". Titulo bem sugestivo pela carga filosófica que tem. A exibição deste filme foi escolha na realizadora Ana Luisa Guimarães que apresentou o seu filme "A nuvem" e que data de 1991. Segundo a critica "O regresso" do realizador Andrey Zvyagintsev volta a trazer junto do publico a tradição do cinema russo, aquele que Andrei tarkovski praticava. 
  O filme fala sobre dois jovens irmãos ou se quisermos o regresso inesperado do pai após 12 anos de ausência e que a pedido da mãe os leva numa odisseia pela natureza, numa espécie de ferias onde acampam e aprendem os princípios básicos de sobrevivência. Ivan, o mais novo dos irmãos, desconfia até ao limite que ele seja seu pai, levando-os à loucura. De facto, numa fotografia que o rapaz guardou, consegue identificar alguns traços que se assemelham ao individuo que se faz passar por pai. Esta odisseia leva os rapazes por uma Europa distante, onde há praias sem gente, florestas inexploradas, até ao destino: uma ilha, que parece ter sido habitada por militares. 

Al Berto, o Filme.

prepósito do conhecimento cientifico e das praticas cinematográficas (...), conheci na academia de cinema uma pessoa e amigo natural de Viseu que no entretanto organizou um festival de cinema português com algumas características interessantes: Não foram abertas vagas a realizadores  independentes, mas o próprio staff escolheu com critério os filmes a apresentar. 
O filme que  me levou ao festival de Lafões em Viseu, chamasse "Alberto" um nome bem familiar para quem conhece a alguma poesia surrealista. "Alberto" do realizador Vicente do Ó, fez deslocar-me ao festival, conhecer o poeta e reencontrar um velho amigo produtor e realizador de teatro e cinema. Al Berto no filme é uma personagem quase terciária que entra em cena apenas para dar o ar da sua graça com frases simples e de grande sabedoria. Marcou-me "O povo não sabe o que diz", frase de sentidos divergentes que enclausurou o meu pensamento na viagem de volta á beira baixa. Pela controvérsia tive a necessidade de conhecer a posteriori um outro autor com o qual me identifico mais e que não posso deixar de referir Herberto Helder (fica a dica). O Filme Alberto tem uma particularidade que acho fascinante neste mundo mais ou menos underground que é o cinema e que pretendo explorar: Alberto é para mim uma personagem de um filme, foi desse modo que o conheci e não foram as letras que o eternizaram. 
Contextualizando, o filme é belo pela simplicidade lírica, remonta a 1974, ano conturbado de muita produção (O filme passa-se em Sines) e da revolução dos cravos, quando em Sines despoletavam os sindicatos e as revindicações. Alberto fora estudar artes plásticas para Bruxelas (Bruxelas, vejam bem) e regressou às origens para ainda assistir à desapropriação que fora alvo com a casa que herdara da família, imediatamente a seguir às tertúlias literárias que organizava para a comunidade.