Análise poética ao Filme de Luís Filipe Rocha
"Cinzento e Negro" (2015)
O mar é o foco. "Cinzento e Negro" é um filme diferente da generalidade no cinema português, pois é um tipo de cinema que olha o mar como personagem principal. Ainda que de forma discreta, a presença do mar tem sido caracteristica comum na maioria do cinema português desde que em 1929 Leitão de Barros realizou "Nazaré, Praia de Pescadores". Daí em diante é possível extrair beleza na contemplação e bem-estar na relação entre cinema e mar. Em "Cinzento e Negro" e paralelamente à narrativa que se revela atraente e verdadeiramente surpreendente, pois o filme desenrola-se de forma original e tão pouco convencional, há lugar à verdade na magnifica paisagem dos Açores onde o filme é rodado.
Ainda que simbolicamente, "Cinzento e Negro" reflete um livro que ocupa os antípodas da mente, é o ser-se culto em ir e voltar. Olhar o mar. Ter, não apenas ser, no cinema um lugar exclusivo da lógica, da razão, da verdade cinematográfica, a mais nobre produção, pura e não material. Não só pela beleza da arte como da vida, a própria oleosidade dos atores desperta o mais recôndito espetador, numa narrativa que se desenvolve de forma caótica e decadente, como se tratasse de uma história entre assassino e o seu psiquiatra.
"Cinzento e Negro" é um filme de Luís Filipe Rocha, data de 2015 e está disponível para visualização na plataforma RTP PLAY.
Porto, Outubro 2024
IG2024