Lágrimas e Suspiros (Ingmar Bergman, 1972) ☆☆☆☆

    O dramaturgo francês Antonin Artaud numa conhecida emissão de rádio afirmou que o Homem é, por excelência, um animal erótico. Décadas mais tarde, o realizador sueco Ingmar Bergman viria a executar "Lágrimas e Suspiros" (1972), filme cujo o realismo desse estranho sentimento de sedução se apoderou, ainda que de forma sublime, no seio de uma família burguesa do séc. XIX, pois quando foi diagnosticado um cancro em estado avançado em Agnes, umas das três irmãs protagonistas, as relações humanas foram alteradas profundamente.  

    Ao contrario de uma estrutura da narrativa clássica, onde surgem conflitos e consequentes resoluções, o desfecho deste filme é provavelmente o enunciado, mesmo quando a morte se aproxima o erotismo manifesta-se esplendorosamente. Sem distrações, nem fugas para o supérfluo, o filme foca-se no humanismo perante situações extremas como a dor e a solidão, mas também na questão estética que rodeia o filme, dando luz e cor a cenas simplesmente sombrias e "incolores".

    A determinada altura da vida achei que começara a perceber de filmes, então seria necessário encontrar uma forma plausível de chegar ao próximo filme. Através dos clubes de vídeo, encontrei um lugar de encontro de ideias, onde a principal motivação é o cinema e onde conheci as cinematografias do mundo. Desde logo percebi que Ingmar Bergman é um nome incontornável no cinema europeu, até porque escolher um filme com base em características distintas como a direção de arte e a fotografia, que garantem ao espetador beleza e satisfação, logo chegamos à filmografia de Bergman que sempre se destacou pela sua estética. Além da originalidade das historias, a simplicidade implícita em cada uma delas revela enorme talento de um dos cineastas mais constantes e respeitados junto da critica internacional.

    "Lágrimas e Suspiros" (1972) conta com a atriz Liv Ullman, presença recorrente nos filmes de Ingmar Bergman e está disponível para visualização no streaming do canal TVCINE+.