"O Barqueiro" 2026 Filme de Simão Cayatte ☆☆☆

Ser realizador de um filme em Portugal, para além de ser necessário conhecimento em fotografia, som e montagem, é também imprescindível noções de psicologia, sociologia, antropologia, filosofia, direito etc. O aspirante a cineasta tem a vida difícil, pois mais fácil será não fazer um filme ao invés de obter conhecimentos na arte especifica que é a sétima arte, uma arte que engloba tudo. Sendo que o mais importante é a produção em si, Simão Cayette está de parabéns, por concluir uma longa metragem que vale todo o "cêntimo investido"... "O Barqueiro" acompanha Joaquim, um ex-presidiário que quer integrar-se na sociedade, mas que procura trabalho na clandestinidade da apanha de ameijoa nas perigosas margens do rio Tejo, onde se encontra uma gigantesca comunidade de trabalhadores tailandeses e precários. Joaquim é interpretado com distinção por Romeo Runa, mas há outros papeis de relevo para um elenco de reconhecido valor no cinema português: Miguel Borges e Sandra Faleiro. 
Simão Cayette revela a cada passo - num par deles - "precisão" no seu próprio trilho que faz no cinema. O filme tem assertividade, tem qualidade e muito cuidado. Assenta numa tragédia, mas positiva, que não estou acostumado a ver no cinema português. Com tudo isso que "O Barqueiro" desmitifica a ideia de que o cinema português está a anos luz da qualidade estética que se encontra no cinema americano, mas também francês, inglês e até alemão ou italiano, pois o rigor que se encontra no filme, eleva-o ao patamar do que se pode considerar um bom filme por excelência. 

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